“Era um crente”. Jihadista do Daesh detido fala agora de arrependimento, devemos perdoar? Essa é a questão

Abdelrahman al-Azy, ex-extremista que pertencia ao auto-proclamado Estado Islâmico, falou à CNN sobre a sua relação com o Daesh.

Abdelrahman al-Azy tem 23 anos. Neste momento está detido numa prisão gerida por curdos. Foi preso em Kirkuk como membro do Estado Islâmico.

À antena da CNN, al-Azy fala sobre a sua fé e a ligação aos extremistas islâmicos. “Era um crente. Acreditava no califado e acreditava no Estado Islâmico”, admite. “Eles diziam que o juramento ao califado é do tempo do profeta e que quem não faz o juramento não é muçulmano. Estava convencido disso”, declara.

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Abdelrahman al-Azy fez vigilância, fez circular dinheiro e chegou a participar em, pelo menos, um assassinato ao serviço do brutal regime. “Tinha de seguir instruções e segui-as”, diz. O arrependimento só chegou mais tarde.

“Já não acredito no califado. Sou muçulmano e ainda faço as minhas orações. Nada mudou no que diz respeito à minha fé. Mas quanto ao Estado Islâmico, não quero ter nada a ver com eles”

Entre o seu juramento feito a partir de Kirkuk, uma cidade de maioria curda, e a entrevista da CNN passou-se um ano. O Estado Islâmico tem perdido terreno, em particular no Iraque. Mossul, o seu último grande reduto no país, poderá ser perdido no espaço de semanas. Mas, para al-Azy, mesmo uma eventual derrota não significará o fim do Estado Islâmico no Iraque.

“No Iraque, [o Daesh] vai sobreviver porque há muitas células [terroristas] escondidas”, diz. Ele próprio, saliente-se, serviu o Estado Islâmico não em combate mas como informador. Talvez por isso não hesite em afirmar que mesmo que o Daesh venha a perder em Mossul, “vai continuar a existir no Iraque”.

Mas no fim de tudo isto devemo-nos perguntar: merecem estas pessoas serem perdoadas?