As vítimas: Uns iam casar, outros esperavam filhos!

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Não são números, são gente com rosto e com vidas muitas vezes semelhantes às nossas. São pessoas que tombaram às balas das kalashnikov do terror. Uns sobreviveram. Outros morreram. Uns iam casar, outros esperavam filhos, outros amavam-se e amavam os filhos. Isto não é um filme, aconteceu mesmo.

Cédric Mauduit morava há vários anos na capital francesa. “Depois do ataque ao Charlie Hebdo, em janeiro passado, ele encontrou trabalho em Caen e mudou-se para lá para ter uma vida pacífica”, lembrou a mãe de Cédric. “Ele queria escapar aos atentados”. A sorte traiu-o. Morreu no ataque ao Bataclan. Tinha 41 anos e deixou para trás uma filha de três anos e um filho de sete anos.

Valeria Solesin, italiana, de 28 anos, cresceu em Veneza e estava em Paris há quatro anos. Era uma socióloga que estudava o lugar das mulheres na sociedade. Era também voluntária de uma ONG italiana e o fundador homenageou-a no Facebook: “Adeus e obrigada. Tivemos a sorte de te conhecer e apreciar”, escreveu Gino Strada.

Claire Camax tinha 35 anos e era mãe de duas crianças. Morava em Yvelines, vivia do grafismo desde 2004 e também era uma amante de rock “um pouco pesado”. “Era uma excelente desenhadora e uma pessoa radiante, que transbordava de alegria de viver. Ela fazia-me rir muito”, contou o amigo Jean-Emmanuel, que a conheceu na escola profissional superior de Artes Gráficas. Sexta-feira, Claire Camax foi ao concerto dos “Eagles of Death Metal” junto com o seu marido e vários amigos. Dois deles foram feridos e o marido saiu ileso, pois não se encontrava no junto dela quando o tiroteio começou. Claire não teve tanta sorte e acabou por falecer.

Halima Saadi, de 37 anos, e Hodda Saadi, de 35 anos, são irmãs e ambas foram mortas na esplanada do restaurante “La Belle Equipe”, onde a mais nova era co-gerente. Estavam a festejar um aniversário com os amigos. Halima tinha dois filhos, um de seis e outro de três anos. O pai e irmãos das vítimas, que pertencem à comunidade muçulmana de Creusot, disseram ao jornal francês “Le Parisien” que “estes jiadistas não representam a religião muçulmana”.

Maxime Bouffard, natural de Dordogne, era um antigo jogador de râguebi. Tinha 26 anos, faleceu durante o tiroteio em Bataclan. Estudou para ser técnico de audiovisual e instalou-se na capital francesa há quatro anos; realizava filmes e videoclipes. Recentemente, criou uma sociedade de produção e todos os que o conheciam orgulhavam-se do seu trabalho. “Era uma grande pessoa, de 1,90 metros, brincalhão, sempre com um sorriso. Sempre que podia vinha ver os amigos, a família, a sua terra”, contou Michel Rafalovic, o presidente da junta de Dordogne.

Thomas Ayad tinha 34 anos e trabalhava na companhia discográfica “Mercury Music Group”. Era um grande fã de “rock”, da banda “Queens of the Stone Age”, mas principalmente de “Eagles of Death Metal”. Tinha uma carreira definida e estava a tratar de comprar uma casa para ele e para a namorada. Foi atingido quando estava a falar com um dos produtores do concerto no Bataclan e acabou por falecer no local.

Aurélie Peretti- Era completamente apaixonada por música e marcou uns dias de férias para ir a Paris ver três concertos. Encarava a viagem como uma recompensa após ter passado os últimos seis meses a servir às mesas num restaurante em Saint Tropez, no Sul de França. O concerto do Bataclan seria o primeiro. Aurélie não resistiu às balas.

Mathias e Marie – Marie Lausch tinha 23 anos, mais um que Mathias Dymarski. Originários de Metz, mudaram-se para Paris em setembro. Estavam apaixonados e felizes. Há uns dias compraram bilhetes para o concerto e previam divertir-se na noite de sexta-feira. Morreram juntos dentro da sala de espetáculos.

Pierre Innocenti – Era gerente do Chez Livio, um restaurante italiano bem conceituado em Neuilly-sur-Seine. Brigitte Bardot, Sarkozy ou Ibrahimovic já lá foram comer. Com 40 anos, Pierre estava entusiasmado com o concerto. O seu último post no facebook mostra uma foto da entrada do Bataclan com uma legenda curta: “Rock!”. Não sobreviveu aos tiros.

Michelli Gil – A mexicana Michelli Gil anunciou, há três semanas, que estava noiva de Filo, um italiano. Os dois estavam em Paris na noite de sexta-feira. Michelli foi baleada nos ataques. O telefone do noivo não parou de tocar, ele disse que estava bem mas que precisava da linha desimpedida. No sábado escreveu no facebook: “Amo-te meu amor, descansa em paz”.

Fabrice Dubois – Os amigos chamavam-lhe “o gentil gigante” pelos seus dois metros de altura e amabilidade ainda maior. Tinha 47 anos, era publicitário e adorava o rock. O seu corpo foi encontrado por um amigo de infância que faz parte da polícia especial que entrou no Bataclan para neutralizar os terroristas. Fabrice deixa um filha com 13 anos e um filho com 11 anos.

Mathieu Hoche – Aos 38 anos, Mathieu Hoche era um técnico de imagem no canal France 24 e, segundo os amigos, um enorme apaixonado pelo rock”n”roll, indo com muita frequência a concertos. Na noite de sexta-feira decidiu, como tantas outras vezes, ir ao Bataclan para um serão com amigos. Foi mais uma das vítimas do ataque à sala. Deixa um filho com seis anos.

Eric Thome – Um amigo escreveu que Eric Thome, tombado às balas das kalashnikov naquela sexta-feira de horror, era tudo o que os terroristas detestam: “Uma pessoa brilhante com uma mente aberta, curiosa e sem fronteiras”. O designer gráfico deixa um filha e uma mulher grávida que dentro de poucas semanas dará à luz o seu segundo rebento.

Elsa Delplace – Chilena com nacionalidade francesa, foi ao Bataclan com a sua mãe, Patricia San Martín, uma exilada em França na época de Pinochet. Eram parentes do embaixador chileno no México. Elsa Delplace trabalhava em gestão de projetos culturais. Tinha o violoncelo como paixão. Deixa um filho de seis anos.

Guillaume B. Decherf – Crítico musical na LesInrocks, uma das principais publicações musicais francesas. Escreveu para o Libération ou para a Rolling Stone. Foi ao Bataclan ver os “Eagles of Death Metal” poucos dias depois de escrever uma crítica sobre o último álbum da banda. Foi uma das vítimas mortais na sala de concertos. O jornalista deixa duas filhas.

Nick Alexander – O britânico de 36 anos fazia parte da equipa dos “Eagles of Death Metal”. Estava a vender t-shirts da banda e foi morto à frente de uma amiga que em tempos foi sua namorada. A amiga contou que tentou mantê-lo com vida mas quando sentiu que ele perdeu a respiração abraçou-se a ele a dizer que ainda o amava.

Romain e Lamia – Romain Didier e Lamia Mondeguer namoravam há algum tempo. Ele tinha 32 anos, jogava râguebi e estudara artes dramáticas. Ela frequentara a escola de cinema e trabalhava com atores. Na noite de sexta-feira, decidiram sair para beber copos com amigos. A dois passos de casa de Didier, na rue de Charonne, foram ambos mortos.

Hyacinthe Koma tinha 34 anos e era natural de Burkina Faso. Trabalhava no restaurante “Les Chics Types”, em Paris, desde a sua abertura. Na noite dos atentados, ele tinha saído do serviço para se juntar aos amigos, para festejar um aniversário no “La Belle Equipe”, um outro restaurante que pertence ao seu patrão.

Guillaume Le Dramp era de Cherbourg e trabalhava em Paris como “barman”. Nicolas, um dos amigos, diz que eram as suas piadas, o seu humor e a sua bondade que caracterizavam Guillaume. Na sexta-feira passada, festejava os seus 33 anos no restaurante “La Belle Equipe” onde acabou por falecer.

Thomas Duperron, tinha 30 anos e trabalhava no departamento de comunicação da sala de concertos “Maroquinerie”, situada no centro de Paris. Estava no Bataclan na sexta-feira, junto com uma amiga. No Facebook escreveu: “?#?ROCKNROLL TONITE !!! Avec Eagles Of Death Metal!!!”. No domingo passado, o seu irmão Nicolas anunciou, através da mesma rede social, que Thomas não tinha sobrevivido aos ferimentos do ataque.

Nicolas Classeau, de 43 anos, era o diretor do Instituto Universitário de Tecnologia (IUT) de Marne-La Vallée, desde há dois anos. Tinha três filhos, era um fã de rock e também um músico amador. Assistiu ao concerto no Bataclan, onde acabou por falecer. A companheira também estava presente e foi ferida e hospitalizada. No Facebook, um colega descreveu-o como um “republicano, cheio de ideias, humor e auto-ironia”.

Matthieu Giroud tinha 39 anos e era colega de Nicolas Classeau, no Instituto Universitário de Tecnologia (IUT) de Marne-La Vallée, onde dava conferências de geografia. Estava a investigar e analisar a vila que habitava. Na sexta-feira passada, também se encontrava em Bataclan. Depois de um dia de incertezas, as autoridades anunciaram a sua morte no sábado à noite à sua família. Era pai de um menino de três anos e a sua esposa está grávida, estando previsto a nascença da criança para o próximo mês de março.